Pioneira, Dona Ivone superou preconceitos no samba e deixa legado, ensinamentos e 40 canções inéditas

Pioneira, Dona Ivone superou preconceitos no samba e deixa legado, ensinamentos e 40 canções inéditas

Yvonne Lara da Costa não é “apenas” um símbolo da história da música popular brasileira. Dona Ivone Lara ou Dama do Samba, como era conhecida, também pode ser colocada como uma das grandes bandeiras contra o preconceito, seja ele social ou mesmo dentro do samba, que por muito tempo foi cercado por um machismo que, graças a força dela, não existe mais nos dias de hoje.

Primeira mulher a compor e gravar um samba na história, Dona Ivone Lara também foi pioneira entre as que se arriscaram na ala dos compositores de um escola de samba do carnaval do Rio de Janeiro (1965 – Império Serrano). Ivone perdeu o pai aos três anos de idade e foi criada pelos trios após a mãe dela morrer, quando ela tinha apenas 12 anos. Ao lado dos tios, ela aprendeu a gostar de samba e a tocar cavaquinho.

Casada até 1975 com Oscar Costa, que não gostava de rodas de samba, a Dama do Samba sofreu com a perda de um dos filhos e do marido no mesmo ano e usou a música para superar os momentos difícil. Dona Ivone também trabalhou como atriz e fez algumas participações em filmes e até em especiais de TV. Destaque para a aparição em Sítio do Pica-Pau Amarelo, quando interpretou a famosa Tia Nastácia.

Carioca nascida no dia 13 de abril de 1922, (os registros mostram o nascimento em 1921, mas a alteração aconteceu graças a um desejo da mãe de Ivone, que alterou os dados da cantora, em 1932, para que ela pudesse ser admitida em colégio interno, cuja idade mínima para o ingresso era 11 anos) a compositora tem registrado mais de 100 sucessos gravados por ela ou mesmo por artistas do porte de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Alcione, Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Gal Costa, Clara Nunes, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Roberta Sá, Marisa Monte, Caetano Veloso e até mesmo Maria Bethânia.

Além dos grandes hits de Dona Ivone, como Sonho Meu, Prea Comeu, Liberdade, Acreditar, O Samba não pode parar, Nova Era, Nunca Mais e Poeta Sonhador, a cantora amplia o legado dentro do samba e deixa mais 40 canções inéditas.

De acordo com a família da sambista, Dona Ivone acumula, nos últimos quatro anos, uma média de até dez novas canções a cada doze meses. A artista, segundo os parentes, sempre pedia um caderninho para registrar as canções no papel, sempre falando de amor.

Eliana Lara Martins de Castro, nora de Dona Ivona Lara, foi quem revelou o acervo especial deixado pela sambista. “Dos 93 anos dela para cá, ela fez umas 40 músicas. Estão novinhas. Fez com meu filho, André Lara, e com outros compositores, como o Delcio Carvalho (na arte, parceiro de longa data de Dona Ivone Lara). A última (música) ela fez não tem nem oito meses”, disse, em entrevista ao jornal O Globo.

Além da obra eternizada, Dona Ivone Lara seguirá viva também em um musical, que estreia em setembro deste ano, contando a história da Dama do Samba. Viva Dona Ivone Lara. Viva o Samba. Viva nossa Dama!

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Luiz Teixeira
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Luiz Teixeira, 29 anos, é formado em jornalismo, com especialização em produção e apresentação de telejornal, pela Universidade Anhembi Morumbi no ano de 2009. Trabalha desde 2007 na área e atualmente é repórter da Rádio Band News FM, de São Paulo. Natural de Taboão da Serra-SP, criou o site Samba & Pagode depois de um papo entre amigos do meio musical, assessores de imprensa, cantores e músicos. Viva o Samba!

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