janeiro 23, 2021

De Chapinha a Gordinho, o samba está perdendo a luta contra o coranavírus

Por Luiz Teixeira

O Brasil é o segundo país com mais vítimas fatais do coronavírus em todo o planeta, superando a casa dos 215 mil mortos por Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que estão chegando ao catastrófico número de 500 mil mortes. Neste sábado (23), a doença causadora da maior epidemia do século nos levou o Seu Antenor Marques Filho, o popular Gordinho, referência na música popular brasileira e unanimidade com seu surdo.

E apesar de todo o negacionismo explanado por algumas autoridades políticas do país e também por parte da população que não acredita na ciência (inclusive alguns membros do nosso segmento), sabemos que a Covid-19 é uma doença silenciosa, mortal e que, infelizmente, está estraçalhando não só milhares de famílias, mas também nos retirando parte viva da história do samba.

No dia 11 de dezembro de 2020, o nosso querido Chapinha nos deixou, também vítima das complicações do coronavírus. Pilar do Grupo Fundo de Quintal e criador do repique de mão, o mestre Ubirany era uma parte viva do samba enraizada no Cacique de Ramos. É claro que o legado do Seu Chapinha seguirá entre nós, mas é muito duro saber e aceitar que perdemos um dos nossos maiores símbolos para uma doença que não foi e ainda não é levada realmente a sério por autoridades e por parte da população.

Pouco mais de um mês depois, a Covid-19 fez uma nova vítima dentro do samba: o Gordinho. Membro da Banda do Poder, grupo de músicos que trabalham com o cantor Thiaguinho, o Seu Antenor era uma lenda viva da música popular brasileira, colecionando mais de 200 registros de gravações com nomes como Clara Nunes, Originais do Samba, João Nogueira, Aniceto, Roberto Ribeiro, Caetano Veloso, Maria Rita, Dudu Nobre, Zeca Pagodinho, Elba Ramalho, Beth Carvalho, Gilberto Gil, Belo, Chico Buarque, dentre tantos outros.

É claro que, por sermos humanos, não somos eternos. Porém, ao contrário do discurso de ódio da maior autoridade política do nosso país, que já esbravejou que não é coveiro e que todos irão irá falecer um dia para “justificar” a alta de mortes por coronavírus no Brasil, precisamos ter a conciência coletiva e a noção de que ainda estamos vivendo uma pandemia e que, infelizmente, qualquer um está sujeito a entrar na triste estatística de vítimas do coronavírus. Ano passado foi o Ubirany, hoje foi o Gordinho. E amanhã? Não deixem o samba (e nenhum membro da sua família) morrer, principalmente se a causa for a Covid-19. Se proteja e proteja os seus. Vá em paz, Gordinho.