Alemão dá samba? Dá, sim senhor!

Alemão dá samba? Dá, sim senhor!

Você por já ouviu falar em Alexandre Panzoldo? Talvez por esta alcunha a dificuldade de vir a lembrança seja muito flagrante, ou até impossível. Agora, seu dissermos Alemão do Cavaco, com certeza muita gente vai conhecer. Vencedor da disputa do samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira de 2016, pela terceira vez em sua carreira , o renomado sambista paulistano, que há 5 anos vive na cidade maravilhosa, será um dos protagonistas na avenida no próximo carnaval durante a homenagem à cantora Maria Bethânia, “A menina dos olhos de Oyá”.

Alemão divide sua participação na Verde e Rosa com as apresentações do Grupo Dose Certa, que leva o samba raiz para os quatro cantos do país, não só como um grupo de samba, mas também como um agente disseminador da cultural musical. Ele, que é bacharel em violão e cavaquinho pela Faculdade de Música Carlos Gomes, já participou como comentarista da TV Globo, nos desfiles de 2015.

Como compositor de sambas de enredo, Alemão, além dos inúmeros prêmios, colecionou uma gama de obras. Nos Gaviões da Fiel, onde começou, ele assinou em parceria (muitas delas com Ernesto Teixeira e José Rifai), nada menos que 8 sambas, sendo que 3 levaram a escola alvinegra ao título. Um na X-9 Paulistana e mais 3, na Estação Primeira de Mangueira, nos anos de 2013, 2015 e 2016. E por três anos foi Diretor Músical da Verde e Rosa.

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Como diria Fausto Silva, “O cara é fera, bicho!”.

O Samba & Pagode te convida para conhecer um pouco mais esse grande músico e compositor da MPB.

Samba & Pagode: Nos últimos 20 anos qual foi a grande mudança nas composições de sambas-enredo?

Alemão do Cavaco: Acredito que vem se adequando à modernização melódica, a grande mudança foi de melodia e andamento. Porém, a essência do samba, de letra e poesia, ainda é fundamental.

S&P: O engessamento das sinopses limita a criatividade do compositor?

Alemão: Sim, mas se o compositor for inquieto como eu, ele irá buscar alternativas de pesquisas, como internet, livros e outros.

S&P: Como compositor o que você acha que poderia mudar em relação a premiação e direitos autorais para que o compositor fosse mais valorizado?

Alemão: Ainda acho bem complicado o controle disso tudo. O direito autoral sempre foi uma coisa obscura pra mim. Você nunca sabe como isso funciona, não há um controle real sobre isso. E as escolas em sua maioria, além de não premiarem, ainda tiram uma porcentagem dos autores.

S&P: Qual é o significado de um paulistano vencer 3 sambas na Estação Primeira de Mangueira?

Alemão: Muita gente tem falado disso, mas pra mim não há nenhuma diferença, pois sou paulistano com muito orgulho de minha terra, porém moro no Rio há mais de 5 anos e tenho uma vida acostumada aqui, muitos nem  lembram mais disso e não fazem nenhuma alusão à este fator, a não ser pelo meu sotaque (risos).

S&P: Como você encara essa coisa profissional que se tornou o espetáculo das escolas de samba. Já que seu inicio foi numa época em que tudo era no amor e na raça?

Alemão: Verdade, quando comecei tudo era literalmente no “amor”, porém eu também me profissionalizei. Fui estudar, fiz faculdade de música, estudei harmonia e arranjos. Como sou um profissional da música, além do amor ao carnaval e às composições, eu também trabalho no carnaval como músico e arranjador. Fui durante 3 anos diretor musical da Mangueira. Acho que tudo se moderniza e tudo se profissionaliza, o carnaval não é mais aquele da década de 70 ou 80, que tinha seu valor, onde aprendi muito. Mas hoje virou um espetáculo, a concorrência é grande entre as escolas. Os quesitos se profissionalizaram e assim é natural que tudo vá por esse caminho. Só tenho um pouco de medo de tudo ficar somente muito profissional e pouco emocional, a busca por essa dosagem deve ser incessante.

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S&P: Você tem um trabalho sensacional com o Grupo Dose Certa. A intenção do grupo é levar o samba de raiz para todas as idades e todos os nichos?

Alemão: Sim, o Grupo Dose Certa é um projeto de vida, é muito mais que um grupo de samba. É onde pesquisamos músicas, experimentamos ritmos ligados ao samba, usamos a virtuosidade musical dos instrumentos e arranjos e compomos. Além disso, há uma preocupação em deixarmos um legado sociocultural e musical para os mais jovens e para os fãs do grupo. Lançaremos logo após o carnaval nosso 4º CD e o 1º DVD de nossa carreira. Um produto feito de um show ao vivo com muito carinho e participações especialíssimas. Em novembro agora lançaremos um especial de 1 canção de trabalho em rádios do Brasil.

S&P: Alemão, em algum momento chegou a sofrer preconceito, desconfiança por ser de Sampa ou algum outro tipo de preconceito por não ser da comunidade?

Alemão: No primeiro ano que ganhei o samba até tiveram algumas pessoas falando algumas bobagens, mas nada sério. Nunca foi diretamente a mim, mas como disse moro aqui há um bom tempo e a convivência faz as pessoas esquecerem este bairrismo. Hoje me sinto da comunidade da escola.

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Luiz Teixeira
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Luiz Teixeira, 27 anos, é formado em jornalismo, com especialização em produção e apresentação de telejornal, desde 2009, pela Universidade Anhembi Morumbi. Trabalha desde 2007 na área e atualmente é repórter da Rádio Band News FM, de São Paulo. Natural de Taboão da Serra-SP, criou o site Samba & Pagode depois de um papo entre amigos do meio musical, assessores de imprensa, cantores e músicos.

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