Em entrevista à Sexy, Jorge Aragão abre o jogo sobre Fundo de Quintal e mudança de vida após infarto

Em entrevista à Sexy, Jorge Aragão abre o jogo sobre Fundo de Quintal e mudança de vida após infarto

O sambista Jorge Aragão foi o principal entrevistado da edição de fevereiro de 2015 da Revista Sexy. Com revelações sobre sua carreira e detalhes da vida pessoal, o cantor e compositor explicou como reagiu ao infarto que teve em junho de 2014 e também falou sobre sua trajetória no Fundo de Quintal e o momento em que pediu para sair do grupo.

Referência no meio, Aragão começou a entrevista falando, claro, como tudo começou e seu primeiro contato com a música. “Eu devia ter uns 10 para 11 anos e tentava de todas as formas me aproximar de um violão. Gostava e tinha muita curiosidade, mas condição zero de ter um violão em casa. Aí eu ia pra praça e ficava olhando a garotada, porque sempre tem um artista no meio da turma, né? E ficava pedindo pelo amor de Deus para alguém me emprestar o violão, mas pra eu levar pra casa pra tentar treinar aquilo que eu via que eles estavam fazendo. E eu não sabia. Até hoje sou autodidata, mas não me orgulho não”, disse.

Sobre o início da carreira no samba, Jorge Aragão disse que não tinha pretensões grandes, como ficar famosos ou virar um ícone, como acabou acontecendo. “Eu queria fazer música e queria compor, mas só isso. Não queria um compromisso maior. Depois veio o Neoci Dias (um dos membros da primeira formação do Fundo de Quintal, junto de Jorge), que me levou pro Cacique de Ramos (tradicional bloco de Carnaval do subúrbio carioca), onde eu conheci o que era essa pulsação mais forte de samba. Eu já cantava “Malandro” (primeiro sucesso de Jorge Aragão, gravado por Elza Soares, em 1974) porque eu tinha essa música, mas foi a partir dali que comecei a criar mais. Ali percebi o quanto o samba era importante, quanta riqueza tinha e que podia fazer do meu jeito. Embora seja considerado sambista de raiz, a minha formação é de músico de baile”, afirmou.

Um dos criadores do Fundo de Quintal, ao lado de Almir Guineto, Bira Presidente, Neoci, Sereno, Sombrinha e Ubirany, Jorge Aragão lembrou na entrevista como tudo começou no grupo de samba mais bem sucedido da história e contou como foi o seu pedido para sair e seguir em carreira solo.

“Dentro do Cacique de Ramos foi onde começou a crescer esse movimento que acabou virando o Fundo de Quintal. Sou um dos fundadores do grupo e uma dessas pessoas que começaram todo aquele movimento, que gerou Fundo de Quintal, Almir Guineto, Zeca (Pagodinho), Arlindo Cruz, Sombrinha…Quando eu pedi pra sair, colocaram uma pessoa que é o ícone do samba, que é o Arlindo Cruz. Eu já o conhecia, já tinha visto o Arlindo tocando e tal, e graças a Deus deu tudo certo, ele ta aí. Pra mim, foi um pouco de talento e muito de sorte, porque eu saía gravando um monte de coisa, escrevendo. E a Beth (Carvalho) tinha ouvido uma música no Cacique de Ramos, e falou que ia gravar. Era “Vou Festejar”. Depois disso, o país inteiro estava cantando a música e canta até hoje”, disse.

Aos 66 anos de idade, Jorge Aragão viveu um dos momentos mais difíceis de sua vida no meio do ano passado, quando sofreu um infarto. Ao falar da saúde, o cantor conta como sua vida mudou em pouco mais de seis meses. “Nunca havia infartado antes, até que, em junho do ano de 2014, acordei de manhã e pã! Sonhei que alguém estava fazendo algo que eu não queria e, sentindo isso, abri os olhos e veio aquela dor intensa. Eis que a vida mudou. Vou te falar um negócio, guarda isso pra você: a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi eu ter infartado. Aprendi a querer viver mais, a olhar melhor as pessoas. Tudo tem mais valor. Eu sei que fiquei na beira do penhasco”, finalizou.

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